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A Escola Austríaca de Economia

Economia

A Escola Austríaca de Economia

Também conhecida como Escola de Viena, a Escola Austríaca de Economia deve seu nome ao fato de quê seus fundadores e alguns de seus maiores expoentes são austríacos.

Ainda que tenha trazido importantes contribuições para a economia e apesar do aumento expressivo do seu número de adeptos nos últimos anos, atualmente é considerada uma escola heterodoxa de economia, distanciando-se do mainstream.

A fundação da Escola Austríaca de Economia é creditada a Carl Menger (1840 – 1921) , também expoente da chamada Escola Marginalista e além deste, dentre os principais expoentes desta teoria econômica, destacam-se também Eugen von Böhm-Bawerk (1851 – 1914), o naturalizado  britânico Friedrich Hayek (1899 – 1992), o americano Murray Rothbard (1926 – 1995) e aquele que pode ser considerado como o mais importante autor desta corrente, o austríaco Ludwig von Mises  (1881 – 1973).

Entre os pontos defendidos pelos pensadores da Escola Austríaca, destacam-se o laissez-faire, a organização espontânea e aquilo que seria estruturante no pensamento econômico destes autores, a premissa de quê a economia é uma “ciência da ação humana” e que os seres humanos fazem escolhas racionais subjetivas, tornando extremamente complexas as relações econômicas, de forma quê é praticamente impossível a modelização matemática da economia, sendo este pensamento adotado primordialmente por Mises e seus seguidores.

As bases desta teoria assentam-se sobre a utilidade marginal de Menger, de modo que o agente, ou o homem que faz escolhas no mundo real é o centro de toda a análise econômica austríaca. Para eles, a atividade produtiva seria baseada nas expectativas de se atender as demandas dos consumidores, sendo o valor e o preço determinados pela avaliação que os consumidores fazem dos produtos e pela intensidade de seu desejo de adquiri-los. Deste mesmo modo, utilizaram a “lei da utilidade marginal decrescente” para afirmar que não existiria qualquer conflito de classes entre os detentores de capital e os operários, já que cada um deles seria remunerado de acordo com a sua contribuição marginal ao produto final, contrapondo-se à análise dos liberais clássicos que afirmavam que o valor da mercadoria se dava pelo quantum de trabalho nela empregado, o que posteriormente deu margem para as afirmações de Karl Marx.

De acordo com os pensadores econômicos austríacos, o caminho para o crescimento econômico passava pela interferência mínima do Estado na economia, livre mercado e a descentralização do controle da moeda pelo banco central. Segundo estes, os “ciclos econômicos”, que seriam as fases de crescimento alternadas com crises econômicas, aconteciam por conta da interferência estatal na economia, que aumentava o crédito de maneira desproporcional, fazendo com que a atividade produtiva fosse afetada de forma negativa, ocasionando as crises. Segundo este ponto de vista, a crise de 29 seria decorrente de interferência estatal na economia e a solução seria deixar que a economia voltasse sozinha à situação favorável existente anteriormente, posição diametralmente oposta às políticas keynesianas aplicadas por boa parte dos países, as quais posteriormente seriam acusadas de desastrosas por expoentes da Escola Austríaca.

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O pensamento de Keynes não foi o único a ser atacado pelos pensadores austríacos, já que até mesmo ideias de liberais clássicos, como David Ricardo também foram “refutadas”, ou seja, substituídas por ideias mais abrangentes ou, na visão dos próprios austríacos, mais acertadas. E sendo eles inimigos naturais do estatismo, o pensamento de Karl Marx não poderia passar incólume. Para Mises, a economia socialista, por ser desprovida de um sistema de preços de livre mercado, não teria como calcular custos racionalmente ou combinar de forma eficiente os fatores de produção com suas funções mais necessárias. Em resumo, o socialismo estava fadado ao fracasso, tal qual as medidas intervencionistas do Estado na economia.

Além disso, os austríacos também teceram críticas à excessiva matematização da economia, ou a tentativa de aproxima-la das ciências naturais, já que para estes a economia seria baseada nas ações humanas racionais e subjetivas, constituindo uma complexidade tal que não poderia ser expressa matematicamente. Mises, em seu livro “Ação Humana: Um Tratado sobre Economia” estabelece a Praxeologia como o método a ser usado para investigar o processo humano de tomada de decisão.

Entre as principais contribuições da Escola Austríaca para a economia estão influencias para o desenvolvimento da teoria do valor neoclássica, incluindo a teoria do valor subjetivo em que se baseia, a explicação dos ciclos econômicos e a tentativa de estabelecer uma base metodológica comum para a economia.

Ao conjunto teórico da Escola Austríaca de Economia podem ser feitos tanto questionamentos pontuais quanto gerais, dentre os quais se faz necessário destacar a suposição axiomática da racionalidade humana perfeita e guia das decisões tomadas pelos indivíduos, afirmação esta posta em dúvida pelas novas descobertas da Psicologia, da Biologia e reunidas para melhor entendimento no âmbito das Ciências Econômicas na chamada Economia Comportamental.

Também suscita debate as afirmações de Mises de quê a economia dispensaria testes empíricos por ser uma ciência apriorística, devendo assim os seus postulados serem deduzidas de forma lógica e racional.

REFERÊNCIAS:

ÁVILA, Flávia. BIANCHI, Ana Maria. Guia de Economia Comportamental e Experimental. Tradução Laura Teixeira Motta – 1ª ed. – São Paulo: EconomiaComportamental.org, 2015.

MISES, Ludwig von.  Ação Humana.  – São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010.

ROTHBARD, Murray N. O Essencial von Mises. – São Paulo : Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010.

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