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4 mitos sobre a economia que você precisa parar de repetir

Economia

4 mitos sobre a economia que você precisa parar de repetir

No Brasil existe um ‘capitalismo de compadrio’? O Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation mede mesmo alguma coisa? Estes quatro exemplos mostram como a ideologia pode nos cegar para os fatos.

Uma da áreas que mais despertaram interesse nos últimos tempos na população brasileira foi a economia. Algo até natural, dado o grande impulso que o PIB nacional teve, seguido de uma queda tão estonteante quanto o impulso, que nos deixou na situação atual.

No entanto, na falta de  formas para se obter informações confiáveis, muitas pessoas passaram a seguir blogs, sites de ‘institutos’ e vlogs liberais que repetem de forma incessante informações que nem sempre correspondem à realidade, transformando certas afirmativas em ‘verdades inquestionáveis.’

Hoje, apresentaremos alguns artigos que desmontam alguns destes mitos de forma suscita (links para os mesmos nas referências). Vale a pena destacar que as críticas devem ser feitas após leitura dos mesmos na íntegra e consultas nas fontes citadas.

1. “Os mercados se autorregulam”, ou “O mercado se autorregula” [1].

Atualmente, está muito difundida a ideia de que a sociedade ficará melhor se for regida inteiramente pelo mercado sem intervenções estatais.

No entanto, as experiências históricas nos mostram que isso está longe de ser verdade, sendo o exemplo mais recente a crise de 2008. Segundo Alan Greenspan, economista e ex-presidente do FED, há um problema estrutural neste modelo, tendo ele descoberto após 40 anos e adoção de medidas de desregulamentação sobre o mercado financeiro nos EUA, que o mesmo, “não estava funcionando”.

De acordo com o economista sul coreano Ha-Joon Chang no livro “23 coisas que não nos contaram sobre o capitalismo“, isso se deve ao fato de que nem sempre os interesses que regem os mercados, como o de capitais, por exemplo, são consonantes com os interesses das pessoas comuns.

2. “O Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation mede a liberdade econômica dos países” [2][3].

Sem dúvida, você já deve ter visto em algum lugar alguma coisa sobre o “Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation” e que este, supostamente, mede a “liberdade econômica nestes países”,  sendo que o mesmo é usado como exemplo de como os países com menos intervenção estatal na economia são mais prósperos e desenvolvidos.

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Até aqui tudo bem, não fosse o fato de que o mesmo contraria a realidade, posicionando países altamente interventores em boas posições. A título de exemplo, podemos citar Singapura, em segundo lugar no ranking em 2017, que apesar da classificação, é um país onde o estado detém 80% das habitações [6], expressiva participação na economia nacional e mais ativos em empresas que o PIB total do mesmo.

Nas análises indicadas, verá que tal índice não se baseia de forma alguma na realidade concreta e objetiva, mas serve a propósitos de propaganda, visando promover uma determinada ideologia.

3. “A Curva de Laffer prova que cortar impostos dos ricos aumenta a arrecadação e gera crescimento econômico”[4].

Popularizada por Arthur Laffer nos anos 70, a chamada Curva de Laffer, supostamente provaria que cortar impostos aumenta a arrecadação e gera crescimento econômico.

Todavia, esta teoria apresenta muitas falhas quando confrontada com dados da realidade.  A exemplo, temos que nos “anos dourados” dos EUA, a taxa de crescimento médio anual de produtividade foi de 3,1%, sendo que a partir de 1981, esta taxa foi de apenas 1,5% — com o Republicano Ronald Reagan baixando as alíquotas máximas de de impostos de 70%, quando começou seu mandato, para 28% quando deixou a presidência em 1989.

4. “No Brasil existe um capitalismo de compadrio e o BNDES é parte disso” [6].

Acreditando em um utópico e pueril ‘capitalismo real’, muitas pessoas afirmam que no Brasil existe somente um ‘capitalismo de compadrio’. Apesar disso, a realidade prova que o capitalismo real, com Estado e interesses privados em simbiose é o único existente no muno.

Como exemplo, podemos citar casos como o da Apple, a qual recebeu financiamento governamental em seus primeiros anos de funcionamento. E de acordo com a economista italiana Mariana Mazzucato, autora do livro “O Estado Empreendedor”, das 100 inovações mais importantes, entre 1971 e 2006, praticamente 90% delas receberam algum amparo estatal, sendo que de maneira geral, os Estados Unidos contaram com uma forte participação do Estado para desenvolver a sua indústria tecnológica. Alguns dos grandes exemplos são a DARPA (Agência de Projetos de Pesquisas Avançadas, que desenvolveu a internet que você está utilizando agora), o SBIR (Programa de Pesquisa para a Inovação em Pequenas Empresas), o Orphan Drug Act (um decreto de 1993) e a National Nanotechnology Initiative (Iniciativa Nacional de Nanotecnologia).

Este mesmo padrão, sendo o Estado o incentivador e muitas vezes o protagonista do desenvolvimento econômico e tecnológico, repete-se em praticamente todos os países desenvolvidos. Expandiremos este tema em um post futuro.

REFERÊNCIAS:

[1] http://voyager1.net/economia-politica/os-mercados-se-autorregulam-explicando-como-essa-ideologia-nos-roubou-trilhoes-e-quer-roubar-mais/

[2] http://voyager1.net/selecionadas/a-farsa-dos-indices-de-liberdade-economica/

[3] http://voyager1.net/economia-politica/o-indice-de-liberdade-economica-da-heritage-foundation-e-confiavel-ou-olimpiada-do-laissez-faire/

[4] http://voyager1.net/selecionadas/curva-de-laffer-um-dos-pilares-da-teoria-economica-conservadora-e-uma-mentira/

[5] http://voyager1.net/economia/capitalismo-de-compadrio-eh-a-realidade-capitalista/

[6] http://voyager1.net/hiperlistas/10-fatos-sobre-singapura-que-invalidam-os-indices-de-liberdade-economica/

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